quandonde intervenções urbanas em arte

(Curitiba, PR)

pessoa arrancando grama do Congresso Nacional

quandonde – tempo-espaço que instaura uma situação;

intervenções – reinvenções do entre, ações e diálogos entre diferentes a partir de práticas que criem ruído na inércia;

urbanas – que atuam na cidade, mais especificamente nos locais onde as tensões público-privadas se estabelecem;

em arte – capacidade humana de se relacionar esteticamente com o ambiente e com as pessoas, independentemente de sua nominação como linguagem (teatro, dança, performance, etc). Separar arte e vida é deslegitimar a fruição e produção poética de quem não assumiu socialmente a classificação de artista, desestimulando o desfrutar estético não mediado pela arte institucionalizada. Nós não só desaprovamos isso, como agimos para que a rua não seja apenas um espaço de passagem, mas do exercício constante de novas possibilidades de subjetivação, apropriação e poetização.

A quandonde intervenções urbanas em arte (em minúscula mesmo, substantivo comum, ordinário) é uma plataforma de ações em intervenção urbana surgida no início de 2012. O uso de plataforma ao invés de coletivo, grupo ou companhia, não é em vão. Dá-se pela ideia de que o que constitui a quandonde não é a união de seus membros, mas o território de tensões e afetos que estes criam entre si e a cidade. A inclusão da cidade aqui não se dá como espaço de atuação, ou seja, como suporte aleatório, incidental e estéril; mas como coautora - nossas ações desenvolvem-se tendo como estratégia diferentes maneiras de acolher demandas e proposições do espaço onde ocorrem. Outra característica singular da plataforma é que como espaço de coafetação está, desde sua criação, permanentemente aberta para novos participantes, sejam aqueles que se reconhecem como artistas ou não. O que tem nos unido nesse tempo é o desejo por des/re/construir o mundo a partir de uma perspectiva poética. Atuando na zona de tensão artes/cotidiano, nos valemos de procedimentos híbridos entre diferentes maneiras de estar e agir no/o mundo.

Mensagens de FORA

8/11 às 17h30

Praça Pedro Alexandre Brotto

Classificação indicativa: Livre

A quandonde tem uma carta pra você!

Uma mensagem de FORA.

Compareça na praça em frente à sede da Lava-Jato no dia 08 de novembro, às 17h30 para recebê-la.

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Aliás, já passamos muito tempo falando de FORA.

FORA, palavra de ordem, palavra de exterior, palavra de estrangeiro, palavra de exceção, palavra de desespero, palavra de protesto.

De FORA, as mensagens são correspondências transferidas da Capital Federal para a Capital da Lava-Jato & cartas transferidas de Portugal, do Velho Mundo, para o Brasil, do Mundo Novo. Postadas semanalmente, as transferências deixam marcas na terra FORA delas.

Ação da ordem da persistência da formiga operária em sua invisibilidade e insignificância, da vaca que pasta no Congresso Nacional em dias úteis.

As cartas são também um quebra-cabeça formado a partir do exterior (e não das peças de dentro de uma caixa), quebra-cabeça de uma realidade desmontada para ser recriada por aqueles que vierem dar o FORA, conosco.

Concepção e performance: Diego Baffi e Juliana Liconti Colaboradorxs: Rafael Tursi, Rosângela Liconti, Priscilla Poyares, Letícia Ferreira

Cartas Extraviadas

12/11 das 8h às 12h

Feira do Barreirinha

Classificação indicativa: Livre

Em uma placa, o enunciado: “Escrevo cartas que não serão entregues”. Ao lado de dois bancos desmontáveis e uma caixa de correspondência, a performer propõe às pessoas que ditem missivas destinadas a pessoas cujo o contato tenham perdido ou desfeito: um amigo de infância, alguém que faleceu ou se distanciou, ou mesmo para alguém com quem convivam, mas tenham histórias mal resolvidas, frases não ditas, coisas que gostariam de dizer, mas falta coragem.

Identifi cadas apenas com o primeiro nome do destinatário essas cartas acabam por criar uma rede entre todos os homônimos do alvo de cada mensagem que, por sua vez, também se tornam possíveis receptores. Quem são Celise, Laurita, Rubinho, Fernando e todos os outros destinatários? A experiência do remetente de evocar uma memória é atemporalizada em formato de carta e esta não é entregue ao destinatário específico e situado, mas, ao ser depositada em uma caixa de correspondência e disponibilizada para manuseio de quem estiver interessado em temporariamente extraviá-la, ela se atualiza, é ao mesmo tempo específica e genérica, íntima e pública. Celise, Laurita, Rubinho, Fernando transformam-se em celises, lauritas, rubinhos, fernandos. O “quem” identitário dilui-se em multidão.

Realiza Certas Produções - Incentiva BOSCH