Moira Albuquerque

(Curitiba, PR)

um bicho andando na rua

Estar em encontro, em troca, atentar para o micro tendo clareza do macro, atuar com o inesperado e a presentifi cação, o corpo como mobilizador da criação, são algumas das premissas que foram se apresentando no meu processo de criação. Com o projeto Entre Fios vivencio o corpo na rua. Ali o corpo é observador e receptor, se fragiliza e se fortalece, o tempo se dilata, a dramaturgia se enviesa, o desconhecido se instaura, tudo é potência criadora. Essa experiência eu carrego comigo, está no meu cotidiano, na vida e na arte, isso me gera potência e ao mesmo tempo instabilidade.

entre fios

10/11 às 16h

Praça Francisco Azevedo de Macedo

Classificação indicativa: Livre

ENTRE FIOS é a proposta do encontro. O encontro com o desejo, com as transformações, com o corpo, com o espaço, com as imagens, com o sinestésico, auditivo, visual, tato, olfato, paladar. Foi no encontro do vermelho com o verde que surgiu a proposta deste projeto artístico. Gotas de sangue em folhas verdes. Esta relação fez vibrar um impulso hipnótico de querer mais. Mais vermelho no verde. Mais encontros naturais, orgânicos.

A lenda chinesa do Fio Vermelho do Destino diz que os deuses prendem um fi o vermelho no tornozelo de cada um de nós e o conecta a todas as pessoas cujas vidas estamos destinados a encontrar. Esse fi o pode esticar ou emaranhar, mas nunca irá se romper. Meu nome de batismo é Moira. Na mitologia grega signifi ca destino. As Moiras (Μοῖραι) eram três mulheres responsáveis por fabricar, tecer e cortar o fio da vida de todos os indivíduos, humanos e divinos.

As Moiras tecem fios de vidas e o Fio Vermelho do Destino é o encontro. Tecer vem do latim tecere que significa entrelaçar, tramar fios, textos, palavras, ideias. Assim, ENTRE FIOS tece encontros. E cada fio que se encontra forma novos desenhos, desígnios, novos destinos.

Assim, a partir desta poética, estabelecendo encontros de fios vermelhos de vida, será habitado a Praça Francisco Ribeiro de Azevedo Macedo no bairro Santa Quitéria. A ação criada poderá ter característica lúdica, política, critica, poética, performática, o que emergir das narrativas singulares do espaço.

Bicho

11/11 das 11h às 18h

Passeio Público

Classificação indicativa: Livre

Não é ave, não é mamífero, não é ornitorrinco, muito menos humano!

É um Bicho para ser olhado que surgiu do encontro de seres que habitam o Passeio Público: peixes, aves, répteis, mamíferos de vários tipos e espécies. Assim, ele nasceu com patas de pelicano, bico de fl amingo, um braço com escamas de peixes, asa de alguma ave não identificada, e ainda é possível reconhecer a textura das tartarugas, a estampa de oncinha das prostitutas e vários outros detalhes que só essa fusão possibilita.

O Bicho caminha pelas ruas e pelo Passeio Público, e também fica enjaulado olhando e sendo olhado.

O Passeio Público de Curitiba é conhecido por ser um zoológico de animais de pequenos porte, localizado no centro da cidade. Há espaço para exercícios físicos e de lazer. Senhores jogam baralho e dominó, pais brincam com seus filhos, pessoas fazem seus exercícios diários no mesmo espaço que moradores de rua aproveitam para dormir e prostitutas para conseguir clientes. Entre jaulas e grades, o olhar é o que há de mais público neste passeio.

Concepção e Performance: Moira Albuquerque Figurino: Felipe Custódio e Val Salles Bico: Murilo Cesca Cabeça: Vinícius Précoma Patas: Lauro Borges Maquiagem: Andréa Tristão Fotografia: Lauro Borges Consultoria artística: Francisco Gaspar

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