Metálogos

(Lisboa, Portugal)

duas mulheres e uma projeção de slides

Fernanda Eugénio (BR) é antropóloga, artista, investigadora e docente. Trabalha com pesquisa de campo, escrita, performance ampliada (corpo, instalação, vídeo, fotografia e proposições urbanas situadas) e, sobretudo, com a construção de modos de fazer transversais para a composição relacional e para a criação por re-materialização. É pós-doutora pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (2012); doutora (2006) e mestre (2002) em Antropologia Social pelo Museu Nacional da UFRJ. Desde 2011 dirige a plataforma AND_Lab | Arte-Pensamento e Políticas da Convivência, com sede em Lisboa, a partir da qual explora os entre-lugares emergentes de uma trajetória marcada por colaborações intensivas, deslocações e desvios, entre a pesquisa acadêmica estrita e uma investigação singular dos usos artísticos e políticos da etnografia como ferramenta circunscritiva e performativa. Entre 2003 e 2017 foi pesquisadora associada do CESAP/IUPERJ/UCAM, e entre 2005 e 2012 foi Professora Adjunta do Depto. de Ciências Sociais da PUC-Rio. Nos últimos quinze anos, tem atuado como professora convidada em diversos programas de formação em ciências sociais, artes e performance (inter)nacionais. Suas publicações, criações artísticas e colaborações têm circulado por Brasil, Chile, Argentina, Portugal, Alemanha, Itália, Áustria, França, Espanha, Grécia, República Checa, Reino Unido, EUA e Vietnã.

Ana Dinger (PT) faz perguntas e entretém-se com elas. Quando se torna necessário materializar hipóteses, recorre a diferentes formas de escrita. Desde cedo se sentiu desconfortável com categorias, oscilando entre teoria e prática, questionando constrangimentos disciplinares e habitando os interstícios. É licenciada em Escultura pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa (2008). Frequentou o Ginasiano, o Balleteatro, o Centro de Dança do Porto, o Curso de Pesquisa e Criação Coreográfica do Forum Dança (Porto, 2003) e o primeiro ano do bacharelato da Escola Superior de Dança (Lisboa, 2003/2004). Pós-graduada em Arte Contemporânea pela Universidade Católica Portuguesa (2011), é doutoranda na mesma Universidade, integrando o programa de Estudos de Cultura. É investigadora afiliada ao CECC, tendo sido bolseira da FCT entre 2012 e 2016. Estuda, na sua tese, processos metonímicos, como a espectralidade, que contribuem para a construção de continuidade dos trabalhos artísticos considerados performativos. Articulando as suas questões com o Modo Operativo AND, que segue desde 2011, tem inaugurado outras possibilidades de relação que não se esgotam no ‘sobre’. Encetou, em 2015, uma série de conversas situadas e experimentais (Metálogos), com Fernanda Eugénio, que conta já com quatro edições (ou seja, com quatro aproximações a quatro problemas).

METÁLOGO #5 — os modos do público

19/11 das 14h às 18h

Praça do Japão

Classificação indicativa: Livre

Na série Metálogos, iniciada em 2015, Fernanda Eugénio e Ana Dinger colecionam conversas-performance situadas, experimentando com o público diferentes gradações da participação.

Como uma conversa habitual, os metálogos são irrepetíveis e ingovernáveis e comportam o risco do encontro: são compostos em ato, descobrindo seus percursos, meios e tons no próprio fazer. Diferentes de uma conversa habitual, os metálogos recuperam uma operação antes usada por Gregory Bateson: um compromisso em tentar que o modo de conversar materialize aquilo que está sendo conversado. Fazer com conceitos. Se possível, fazer os próprios conceitos, performando, com eles, modos intensivos de pensar em relação. O esforço é o de presentação e não de representação, no sentido de superar, através do uso, tensões como estrutura/matéria e forma/conteúdo.

A questão a ser manuseada, a cada edição, é extraída do tema oferecido pelo evento anfi trião. Preparam- se, sobretudo, as condições do encontro. Esse trabalho preparatório consiste num mapeamento das vizinhanças do problema e na proposição de ferramentas, materiais, formatos e interfaces. O metálogo habita diferentes territórios, a cada vez ocorrendo a emergência de um objecto singular – repete-se o procedimento, difere a instanciação. Constroem-se objetos tão distintos como uma batalha de slides, um artigo escrito ao vivo, uma palestra sem fala ou um jogo de baralho. Ensaiando um modo operativo perspectivista, percorre-se a paisagem do problema através de uma tática da dádiva: o problema ganha corpo através do receber e retribuir de cada tomada de posição recíproca. Insiste-se no metálogo até que a questão inaugural se reformule, numa outra ou mais questões, por desdobramento.

Das edições anteriores constam Metálogo #1 - os modos da situação (Atenas, Setembro de 2015), Metálogo #2 - o artista etnográfo & o etnográfo artista (Lisboa, Novembro de 2015), Metálogo #3 - os modos da superfície (Porto, Abril de 2016) e Metálogo #4 - histórias & geografi as da performance (Lisboa, Julho de 2016).

Em relação com o campo de questões suscitado pelo Festival Amostra Urbana, propomos Metálogo #5 – os modos do público, pequeno contra-dispositivo pensado para uma praça de Curitiba, mas, sobretudo, desenhado para convidar a mais uma conversa situada, desta vez sob a forma de um jogo com as tensões que atravessam e perfazem o público (espaço partilhado que nem sempre se faz comum) e o público (conjunto de pessoas que nem sempre se faz coletivo).

AND LAB — os modos da concretização: dar, receber, retribuir

Oficina com Fernanda Eugenio, Ana Dinger e Francisco Gaspar

Esta oficina propõe-se como espaço-tempo de investigação aberta, coletiva e experiencial dos modos operativos daquilo a que chamamos Vida, a partir da prática intensiva das ferramentas de posição-com do Modo Operativo AND em conversa com as ferramentas do Metálogo e da Arrumação.

Enquanto processo aberto de concretização, Vida é aquilo que emerge e vai se fazendo linha através de encontros-obstruções ou curvas-acidentes. Não apenas a partir do modo como estes eventos se dão, mas sobretudo, dos modos pelos quais os recebemos e os retribuímos - em um jogo de desdobramento simultâneo do singular e do comum pelo qual se fazem reciprocamente (e interminavelmente) subjetivação e coletivização. Vida é o que se dá mas não é dado: envolve desdobrar e fazer propagar emergências frágeis e provisórias, sempre nas condições que se apresentam (as únicas que temos), numa sequência de posicionamentos-com que vão tecendo a malha da dádiva, re-fazendo a cada vez, em relação situada, o "em" e o "torno". O entorno que temos e que acabamos por ser, pela emergência retroativa do sentido é, portanto, inevitavelmente uma consequência da política de convivência que decidimos praticar e habitar.

A prática que propomos explorar dedica-se sobretudo a modular a atenção, a escuta, a sensibilidade e a responsividade, afinando-as a uma ética de justeza e suficiência, contribuindo assim para inclinar a tomada de decisão na direção de uma tomada de des-cisão.

Inscrições por e-mail: andlab.cwb@gmail.com

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